Friday, February 27, 2009

Mídia e manipulação do imaginário contemporâneo


  O Observatório do Bloqueio Midiático é um espaço para a denúncia e o debate dos principais impactos da praxis desinformadora  da Mídia dominante e tem o apoio da ACJMMG_Associação Cultural José Marti de Minas Gerais (Brasil), do Instituto José Marti de Periodismo Científico, órgão da UPEC_ Unión de Periodistas de Cuba
A iniciativa teve início com o debate sobre o Bloqueio Midiático realizado em novembro de 2008 numa promoção conjunta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações- Sinttel MG, Sindicato de Engenheiros de MG- Senge,  da ACJMMG, como parte da Campanha Nacional Com todos pelo Bem de Cuba
  
Para dar início o debate, a seguir uma entrevista exclusiva concedida pelo 1º vice-ministro da cultura de Cuba.

(Mídia y manipulación del imaginario contemporaneo/Fernando Rojas)

     Fernando Rojas nasceu em 1962, em plena revolução cubana, na Província de Santa Clara, onde se encontra o monumento erguido pelos cubanos em homenagem ao argentino Ernesto Che Guevara.  Atualmente, Rojas é 1º vice ministro de Cultura de Cuba. Licenciado em História, autor de ensaios e artigos publicados em Cuba, Peru e Argentina, foi diretor da curiosa revista “El Caimán Barbudo” e concedeu esta entrevista durante a realização do Fórum Internacional Novos Paradigmas para a Integração Latino Americana e XVI Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, no Rio de Janeiro, de
19 a 24 de maio de 2008.

O vice-ministro falou do direito à autodeterminação, à soberania e à não-intervenção e o papel da mídia na manipulação do imaginário contemporâneo.

 

    Como você define o imaginário contemporâneo ocidental. Quais as suas características e como é produzido?

 

O termo imaginário foi por mim utilizado para referir-me às idéias estabelecidas e que formam parte do senso comum, ou do reservatório de dados que os indivíduos consideram conscientemente como “informação” que possuem.  Incluo no conceito de imaginário contemporâneo, usado aqui não como resultado de uma investigação, mas instrumentalmente, zonas do subconsciente, que têm sido impactadas por repetição, sobretudo como conseqüência da eficácia comunicativa dos emissores de mensagens informativas ou culturais.


O termo está associado claramente à capacidade dos meios monopólicos de introduzir, com conseqüência, coerência e eficácia estereótipos informativos e culturais que são assimilados com facilidade e incorporados ao senso comum e à consciência política e ideológica por mais elementar que seja o nível cognitivo e racional de milhões de habitantes do chamado “primeiro mundo”.


Uma das possibilidades que eleva a eficácia dos meios de comunicação é a articulação da informação com a indústria cultural, tanto pelo fato de que as “donas” são as emissoras, como pela identificação dos conteúdos das mensagens informativas e dos produtos e serviços culturais.


As mensagens, apesar de que proclamem o contrário, são todas, em última instância, políticas ou ideológicas, pois partem de dogmas (políticos ou ideológicos) estabelecidos, que não reconhecem alternativas.


Tratam-se de conceitos muito caros ao gênero humano, tão caros que resultam ,quase em crime, a manipulação destas mensagens.  Conceitos como Liberdade, Direitos Humanos, Cultura, Justiça, Bem Estar são substituídos, respectivamente, por um esquema de organização política específica e invariável, direitos políticos que se exercem somente cada certo número de anos por uma vez, entretenimento sem educação, consumo cultural sem importar a igualdade, ganância sem limites!

Os conceitos substitutos não aparecem nos meios de comunicação. Os originais aparecem esvaziados de seu conteúdo real, só para encobrir os conceitos substitutos.

 

Você vê diferença entre imaginário e opinião pública?


Sim, são distintos. A opinião pública implica participação. O imaginário é manipulado sem que exista participação alguma. Por suposto, uma vez construído o imaginário manipulado, a opinião pública pode reproduzi-lo e, portanto, reforça-lo.

 

É possível construir um imaginário não manipulado, e que seja o campo da batalha de idéias?

 

É preciso democratizar a informação, enquanto sua produção, acesso e a diversificação de seus conteúdos. Isto só pode acontecer a partir de uma participação maior, uma real e efetiva participação popular, desde alternativas concretas e viáveis até a atual ordem de informação.

 

Qual a contribuição do socialismo cubano para a construção de um “novo imaginário”?

 

Em Cuba, contamos com profissionais de alta qualificação e temos desenvolvido meios de comunicação alternativos, sobretudo digitais, muito eficazes. Os usuários que acessão a esses meios (cubasi. A Limbilla, Prensa Latina, cubarte) e outros, crescem diariamente. Esses meios estão linkados aos mais importantes meios alternativos do mundo contemporâneo (Rebelion, Adital, La Haine, Aporrea, e outros) com um periódico fundamental, que é A Jornada e a Telesur.


Está também o exemplo de Cuba. O resultado indiscutível de seus programas sociais, que se divulga pela comunicação alternativa e por outras. Temos que fazer com estes esforços sejam o contraponto às campanhas contra o socialismo cubano e a integração latino-americana.

Para termos sucesso é preciso a integração dos meios alternativos. Para isto, é fundamental que as forças políticas progressistas e os movimentos sociais abandonem posições sectárias e trabalhem pela articulação em temas e tarefas capazes de transformar este imaginário.


É necessário também um esforço para introduzir as visões alternativas nos meios de comunicação de maior circulação e audiência., impedindo, ao mesmo tempo, que visões sejam usadas o absorvidas. Esta é uma tarefa particularmente difícil. Preciso de uma articulação real e eficaz dos meios alternativos. E que a integração dos meios de comunicação alternativos seja mais efetiva. Para isto é fundamento que as forças progressistas e os movimentos sociais abandonem posições sectárias e trabalhem, por articularem-se em torna da questão essencial de transformar o imaginário.

É necessária uma articulação real e eficaz de todos os meios alternativos, o que seria uma tarefa principal das lutas sociais, e que o socialismo cubano faria sua.

Posted by Mgontijo at 17:56:21 | Permalink | No Comments »

Furando bloqueios por quem merece amor

      
                 Por quién merece amor- de Silvio Rodriguez (Interpretação do MPB4)



Beto Almeida, jornalista

(Diretor de Telesur)

23.02.09

Governo Lula doou a Cuba 19 mil toneladas de arroz para enfrentar os graves problemas causados pela passagem de três furacões que devastaram a ilha em outubro passado, o Ike, o Gustav e o Hannah. Uma expressão de solidariedade deste porte não pode passar sem merecer reflexões amplas, especialmente num momento em que o mundo registra principalmente é movimentação de armas. Enquanto Brasil doa arroz, os EUA seguem com o contínuo abastecimento de armas para Israel.

 O carregamento de arroz  -  o equivalente a  718 caminhões   - saiu do porto gaúcho de Rio Grande no dia 10 de Fevereiro e está por aportar em Havana por estes dias, levado por 3 navios cedidos pela Espanha, que, com isto, também participa desta operação de solidariedade a Cuba.

Os furacões também arrasaram o Haiti e Honduras, países que receberam doações brasileiras, logo a seguir. Houve escassa divulgação sobre esta doação do governo brasileiro, apenas discretos registros na imprensa do sul,  mas, no total ela representará 44,4 mil toneladas de arroz. Além disso, serão enviadas aos três países, em um terceiro carregamento ainda sem data prevista, 1.105 toneladas de leite em pó e 4,5 toneladas de sementes de frutas, verduras e legumes, produzidos pela agricultura familiar.

Segundo o Itamaraty , somente no Haiti, as tempestades deixaram pelo menos 800 mortos e 800 mil desabrigados. Em Cuba, foram sete mortes e perdas calculadas em US$ 10 bilhões, com meio milhão de casas danificadas ou destruídas e centenas de milhares de hectares de plantações arrasados. O ex-líder cubano Fidel Castro chegou a comparar as imagens de destruição na ilha às que testemunhou na cidade japonesa de Hiroshima após a detonação da bomba nuclear.  

É aqui exatamente onde se faz mais necessária uma reflexão bem atenta sobre o significado desta ajuda, retirada dos estoques públicos geridos pela Companhia Brasileira de Abastecimento e que conta com expressiva produção de responsabilidade da agricultura familiar.

Os jornalistas que acompanham há mais tempo as passagens constantes de furacões sobre o Caribe, podem observar uma diferença sobre o comportamento da sociedade cubana, de sua defesa civil, a unitária e disciplinada mobilização de seu povo. Com toda a lamentável destruição que ocorre, sobretudo em habitações, na agricultura e também no setor elétrico, é possível verificar que o caráter socialista da sociedade cubana permite sim minimização das perdas humanas. Pode-se alegar que em se tratando de furacões é difícil comparar as perdas cubanas,  as 7 mortes em Cuba, com os mais de 800 que morreram no Haiti, país que vive um crise humanitária, uma tragédia social densa, além de estar sob a presença de Tropas da ONU, cuja permanência foi solicitada pelo presidente René Preval logo após sua eleição com expressivo apoio popular, superior a 73 por cento dos votos.

O que vale registrar é que em Cuba, diante da ameaça de uma catástrofe natural, todos os instrumentos do estado e da sociedade se mobilizam de modo integrado, sobretudo os meios de comunicação, atuando em sintonia completa com a Defesa Civil, com o intuito de salvar vidas.  Lá não há mídia privada que não pode suspender sua programação para difundir diretrizes de evacuação de regiões que serão mais afetadas pelos furacões. Aqui só mudam a programação para explorar o sensacionalismo mórbido como na tragédia da adolescente Eloá, sempre na linha do vale-tudo pela audiência. Quem manda na programação é o departamento comercial. Em Cuba não há mídia privada, salvar vidas é obrigação, é a pauta fundamental.

Assim, com este esforço unitário que inclui órgãos do Estado, as Forças Armadas Revolucionárias, a Defesa Civil, os sindicatos, os meios de comunicação, os Comitês de Defesa da Revolução, o sistema de saúde,  é possível em poucas horas evacuar contingentes de um milhão e meio de cubanos. Só isto já é uma façanha, pois estamos falando de mais de 10 por cento da população cubana aproximadamente, que hoje alcança pouco mais de 11 milhões de habitantes. Imaginemos o esforço que deveria ser feito, a magnitude da logística requerida se necessário fosse evacuar, em poucas horas, diante de uma ameaça climática, a 10 por cento do povo brasileiro, ou seja, algo como 19 milhões de seres humanos. Sabemos que sequer conseguimos resolver a contento ainda operações muito mais simples como a da documentação dos cidadãos, a do registro das crianças recém-nascidas, estamos sendo obrigados a dispensar boa parte dos recrutas pela impossibilidade de oferecer-lhe a refeição adequada nos quartéis.

Sim, o Brasil ainda não resolveu muitos problemas de séculos atrás, como diz o próprio presidente Lula, mas foi capaz de ter a sensibilidade social de  enviar 19 mil toneladas de solidariedade para a Cuba que tanto merece amor. Seria necessário divulgar muito mais o que está ocorrendo de fato junto com o envio dessas toneladas de arroz-solidário. Era até mesmo necessário que a TV Brasil estivesse nos navios espanhóis que fazem o transporte para contar esta história de integração que caminha, mas que nem é compreendida adequadamente, seja porque a comunicação não opera, seja porque há a atuação do jornalismo da desintegração. Refiro-me aquela certa mídia que afirma que integração é pura retórica itamarateca.

Antes das 19 mil toneladas de arroz solidário, já havia ido para a Ilha rebelde o braço da Emprapa, da Petrobrás. Multiplicam- se os acordos de cooperação, os volumes de comércio, os laços culturais. Há quem não queira ver.

Sangue brasileiro em solo cubano

Mas, entre Cuba e Brasil os laços de solidariedade   -  ternura entre os povos   -  são muito mais antigos, sempre mal divulgados. Lutaram no Exército de Libertação Nacional de José Marti dois brasileiros, dois cariocas. Essas 19 mil toneladas de arroz aportam em solo irrigado pelo sangue de dois brasileiros que atenderam ao chamado revolucionário de Marti para a luta de libertação de Nuestra América. Solo fértil. Lá ficaram, junto com José Marti, também abatido em combate. Já havíamos doado sangue ao povo cubano.

Em outros momentos, brasileiros e cubanos também estiveram de alguma forma juntos, como, por exemplo, na luta de libertação de Angola. Trezentos e cinqüenta mil cidadãos cubanos, homens e mulheres, incluindo a filha do Che, tomaram em armas e foram para Angola lutar contra o exército sul-africano que invadia a terra do poeta Agostinho Neto, que pessoalmente solicitou ajuda a Fidel Castro. A sanguinária democracia dos EUA apoiando o exército do Apartheid de um lado e Cuba lutando ombro a ombro com os angolanos do outro. O Movimento Negro brasileiro não mandou uma aspirina em solidariedade aos angolanos. Na Batalha de Cuito Cuanavale, 1988, os nazis do apartheid da África do Sul foram  finalmente derrotados, levando Mandela a declarar: “ a Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do Apartheid!!!” O Brasil tinha sido o primeiro país a reconhecer a independência da República Popular de Angola, o que levou Henry Kissinger, então secretário de estado dos EUA, a vir ao Brasil para reclamar de Ernesto Geisel , afirmando que o Brasil estava fazendo o jogo dos comunistas, estava junto com Cuba, etc. Geisel respondeu apenas: “a política externa brasileira não está em discussão com o senhor!” Houve um tempo em que chanceleres brasileiros tiravam o sapato diante de ordens desaforadas de qualquer guardinha de alfândega….

Furando bloqueios

Hoje o Brasil envia 19 mil toneladas de arroz para Cuba e dá uma banana para a tal lei Helms-Burton, fura o bloqueio com solidariedade, para lá envia a Embrapa e a Petrobrás. Com o apoio da Espanha de Zapatero. Antes, a Espanha de Aznar, mandava tropas para o Iraque, operava no Golpe de Abril de 2002 contra Chávez…

Por quem merece amor….

Solidariedade não se discute a quem, mas esta é matéria que Cuba pode dar aulas de sobra. Existem hoje profissionais de saúde cubanos em mais de 70 país. Apenas na Venezuela trabalham 23 mil médicos cubanos. No Timor Leste também encontram-se 350  médicos cubanos em missão de solidariedade. O presidente timorense, o jornalista e poeta Ramos-Horta, contou-me que o Embaixador dos EUA tentou pressionar para que Timor rejeitasse a ajuda cubana. Ramos, com a sabedoria humilde dos timorenses, apenas perguntou ao embaixador norte-americano quantos médicos seu país havia enviado para aquela ilha que antes foi um Vietnã Silencioso, dado seu heroísmo e dignidade, escondidos de modo vil pela mídia controlada pela indústria bélica e pela ditadura petroleira internacionais. O gringo vestiu a carapuça. Há mais médicos e professores cubanos em todos os continentes do que profissionais de todos os países ricos de idêntica especialização , somados. Mas, se a continha fosse de soldados…. ….

A Venezuela já foi declarada pela Unesco “Território Livre de Analfabetismo” , e lá estavam os professores e pedagogos cubanos para assegurar esta conquista. Ser livre é ser culto, diz Marti. Da mesma maneira, quando em dezembro último a mesma Unesco  -  mais acostumada nos últimos tempos a contabilizar a devastação da educação pública no mundo   -   declarou oficialmente a Bolívia como “Território Livre do Analfabetismo” , lá estavam os professores cubanos, com o seu método de alfabetização “Yo si puedo”,  prestando sua solidariedade para tirar o povo boliviano das trevas da ignorância neoliberal.

Doando médicos, professores, pedagogia

Aliás, este método de alfabetização também foi adaptado por pedagogos cubanos para aplicação via rádio no Haiti, em dialeto creolo. A observação é simples: um país que já extirpou a praga do analfabetismo há mais de 48 anos coloca agora seus profissionais a serviço de outros povos buscando soluções para problemas sociais que já não existem mais ali entre cubanos. De certo modo, lá no Haiti brasileiros e cubanos também encontram-se novamente juntos. Seus esforços de algum modo coordenam-se favoravelmente. A integração se dá.  Os 500 médicos cubanos que estão no Haiti são, na prática, a espinha dorsal do que resta do serviço de saúde pública daquele país em colapso e o Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro lá está a construir fossas, pavimentar ruas e estradas, obras de saneamento. O tema é provoca polêmicas, inclusive por vários movimentos sociais, mesmo assim é central considerar declaração do Comandante Fidel Castro em 2006: “eu prefiro tropas brasileiras do que mariners dos EUA no Haiti. Revelando a com quê concepção geopolítica, portanto com quê visão estratégica ampla  avalia a questão.

 Do mesmo modo, cabe registrar que este mesmo método de alfabetização cubano  está sendo adaptado e aplicado entre indígenas na nova Zelândia e em inúmeros  Assentamentos da Reforma Agrária do MST aqui no Brasil sempre combinando o uso do livro e da televisão, incluindo a participação, no caso brasileiro, de alguns artistas de telenovela, igualmente solidários com os mais necessitados.

Cuba, Katrina  e Tusinami

O desastre do furacão Katrina nos Eua foi duplo: a catástrofe natural ceifou muitas vidas, mas foi agravada pela catástrofe da criminosa negligência dos administradores públicos que deixaram a população de Nova Orleans no deus-dará e dizendo-lhes apenas, “virem-se”. Quê diferença da mobilização disciplinada para evacuação de milhões de cidadãos em Cuba em poucas horas!!! Citemos os números: em Cuba, mais de 500 mil residências destruídas, porém, apenas 7 mortes. Uma vida perdida é sempre uma vida perdida, mas aqui o valor da consciência, da solidariedade, do sentimento coletivo é o eixo central pois nestas evacuações, os médicos de família acompanham seus pacientes, cuidando inclusive que os animais domésticos também sejam evacuados coordenadamente, especialmente pelo efeito emocional positivo que têm sobre as crianças. É o modo como uma sociedade socialista trata seus animais. A solidariedade , por meio de políticas públicas, chega até estes.

Cuba imediatamente ofereceu aos EUA um total de 1200 médicos para cuidar da população flagelada pelo Katrina, ajuda prontamente rejeitada pelo então presidente Bush, mais preocupado em enviar soldados para o Iraque que em receber médicos cubanos. Como é possível que a poucas horas da passagem devastadora do furacão em Nova Orleans haja a oferta de 1200 médicos prontos para embarcar para os EUA? Já estão sempre preparados para ajudar outros povos! E como é possível que o país mais rico do mundo não tenha tido a capacidade, até hoje, de reconstruir o que foi destruído pelo furacão, deixando patente, sobretudo, o desprezo pelas populações negras que perderam suas casas, seus móveis etc.?

Eis aí um aspecto que diferencia fundamentalmente as sociedades: algumas são capazes de cuidar dos seus, mas também  cuidar dos mais necessitados,  mesmo que estejam em outro país, a civilizada capacidade de oferecer solidariedade. Por isso, é também importante registrar que a Venezuela continua doando para as populações pobres dos EUA óleo combustível a ser usado para a calefação neste período de frio. Sim, é comum a morte por frio entre os pobres nos EUA. E  lembrando que em Cuba encontram-se hoje 500 jovens dos EUA,  pobres e  negros  moradores do Harlen, a estudar gratuitamente na Escola Latino-Americana de Medicina.

 Até os elefantes se salvaram…

Da mesma forma que no Katrina, também no Tsunami ficou demonstrado o desprezo pelo salvamento de vidas. Quando os aparelhos eletrônicos dos EUA detectaram os tremores no fundo do mar, imediatamente foi possível calcular seus possíveis efeitos, o maremoto arrasador. Tanto é assim que rapidamente as embaixadas dos EUA na região foram orientadas sobre o que poderia vir. As aeronaves da base naval norte-americana da Ilha de Diego Garcia foram colocadas em área protegida. Sabia-se o que estava por vir em algumas horas. Horas suficientes para serem utilizadas na informação preventiva, mobilizadora, para organizar um operação de evacuação gigantesca. Tanto é que elefantes que percebem os tremores subterrâneos captaram a mensagem da natureza e fugiram para lugar seguro. Os elefantes escaparam!

Mas, a magnífica parafernália de comunicação hoje em mãos da humanidade para integrar bancos, bolsas de valores, esquadras navais, satélites, internet, para operações com capitais especulativos, não foi usada para salvar vidas! Se fosse um colapso bancário, em segundos todos os países do mundo estariam informados. Mas, era um maremoto que estava se formando a partir das súbitas mudanças das placas tectônicas no fundo do mar, não era mudança de capital. Havia o espaço de tempo necessário para salvar vidas se todos os meios de comunicação, os satélites, as rádios e televisões, trabalhassem com o sentido humanitário, com o espírito de missão pública, com a consciência de que se pode sim salvar vidas, como se faz em Cuba quando vêm chegando os furacões. A tecnologia, sem consciência solidária, de nada vale quando se trata de salvar vidas, apenas isto.

Assim, aprendamos todos com esta página de solidariedade que está sendo escrita agora pelo Brasil, coerente com uma política de integração. Militares brasileiros da Aeronautica participaram de operações de salvamento de flagelados quando das devastadoras inundações na Bolívia há alguns meses. Participaram também, recentemente, indicados pelas Farc, mas com a concordância do governo da Colômbia, da operação de resgate humanitário dos reféns coordenada pela Cruz Vermelha nas selvas do país vizinho. Mas, esta página tem muitos antecedentes, sobretudo inúmeras páginas nobres que Cuba já escreveu na história da solidariedade internacional dividindo generosamente seus escassos meios com outros povos mais necessitados. 

Assim, o arroz solidário brasileiro vai para quem merece amor, como na canção de Silvio Rodriguez.

Posted by Mgontijo at 03:24:15 | Permalink | No Comments »

Tuesday, February 24, 2009

Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

XVII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

Location Florianópolis Assembléia Legislativa de SC
From De 10 de Junho de 2009,
to 13 de Junho de 2009

10 de Junho (Quarta-feira)

09h – Comissão de credenciamento reforçando este grupo pela tarde.

19h - Abertura oficial da convenção: Abertura com apresentação
cultural (música, dança). Fala do presidente da ACJM-SC, Mauricio
Tomasoni. Convidar para a mesa Sr. Embaixador de Cuba e presidente do
ICAP, que falariam sobre os 50 anos da revolução. Depois convidaria os
partidos e organizações políticos, que ajudarão a viabilizar a
convenção (cada organização tem 3 minutos de intervenção, só para
cumprimentos), fechando com a intervenção do Deputado Amauri
representando a ALESC e convida para confraternização.

22h – Confraternização.

11 de Junho (Quinta-feira)

09h – ACJM- SC abre e explica a sistematização dos trabalhos,
informes. Associações de solidariedade dão informes das atividades
realizadas desde o Rio de Janeiro (cerca de 06 entidades: SC, SP, RJ,
MG, PE, CE)
Cerca de 05 minutos por fala.

10h – Palestra: 50 anos da revolução: questão da desinformação e da
solidariedade (01 hora de debate): Mesa formada pelo Presidente do
ICAP e um brasileiro

14h - Grupos de debate / trabalho:
a)      Luta contra o bloqueio, informação e desinformação, pagina virtual.
(Presidente da Uniao dos Jornalistas de Cuba – Tubal Paez;
b)      Solidariedade – Presidente do ICAP Jorge Marti Martinez;
Definir coordenador com antecedência que pertença a uma associação,
que este inicie com um informe do que foi definido na anterior
convenção. Relatório escrito no Final. Nomes de palestrantes a
confirmar.
Reunião dos diretores de solidariedade no Brasil

12 de Junho (Sexta-feira)

09h - ACJM- SC abre e explica a sistematização dos trabalhos,
informes. Associações de solidariedade dão informes das atividades
realizadas desde o Rio de Janeiro (as entidades que não falaram no
primeiro dia). Cerca de 05 minutos por fala.

10h – Palestra: 50 anos da revolução: questão dos cinco heróis e da
juventude (01 hora de debate): Mesa formada por algum debatedor da
tarde

14h - Grupos de debate / trabalho:
    c) Libertação dos 5 heróis Cubanos – advogado dos cinco René
Roberto Gonzalez
    d) Juventude, convênios educacionais, associações das mães, etc
– dirigente da FEU Cubana.
Ter coordenação e relatoria pré-definidas. Nomes de palestrantes a confirmar.

19h. - Festa de confraternização pelos 50 anos da revolução Cubana

 


 13 de junho (Sábado)

09h – Apresentação dos relatórios dos grupos de trabalho;
Declaração de Florianópolis;
Definições e próxima convenção para o próximo ano.
Fala final do Presidente do ICAPPut description here

Posted by Mgontijo at 17:35:58 | Permalink | No Comments »

Sunday, February 8, 2009

O Bloqueio a Cuba

*Ariel Terrero Escalante

Recorrente e ubíquo, o bloqueio econômico, comercial e financeiro a Cuba emerge nos portos, bancos, aeroportos, redes elétricas e de computadores (internet), venda de alimentos e disputas filosóficas sobre o ser e o nada. Enquanto frios observadores se entretêm com definições técnicas - embargo ou bloqueio? -, a política dos Estados Unidos em relação à ilha se evidencia também entre as ruínas da passagem dos furacões Ike e Gustav, entre agosto e setembro. O governo dos EUA, a reboque de doações humanitárias de outros países ao governo de Havana, ofereceu, inicialmente, US$ 100 mil, soma ridícula frente às ofertas de nações como Brasil e Timor Leste, de US$ 500 mil. Diante da recusa cubana, Washington, calculadamente, engordou a cifra, pois era evidente que não teria de assinar o cheque.

Por que Cuba rechaçou a ajuda estadunidense? Resulta difícil aceitar acenos de um país que persegue com mais insídia qualquer gestão comercial da ilha com o exterior. Exigiu enviar uma equipe para avaliar os danos estimados por Havana de impactos dos furacões, dos quais nenhum outro país duvidou. Cuba não engoliu a pílula, ainda que tenha entreaberto uma porta para a boa vontade do vizinho.

Em nota oficial, solicitou permissão para comprar materiais indispensáveis e suspensão das restrições que impedem empresas norte-americanas de oferecer créditos para a aquisição de alimentos nos EUA.

A Casa Branca resistiu em, temporariamente, conceder essa ferramenta natural ao comércio mundial: o crédito. A Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) persegue até operações correntes de pequenas quantias - em fevereiro, multou os norte-americanos Banco Atlantic e RMO Inc. As represálias se estenderam a bancos estrangeiro s, como o poderoso UBS suíço, em mais uma prova do caráter extraterritorial do bloqueio.

George W. Bush se vestiu de Madre Teresa de Calcutá, no ano em que seus rastreadores impediram importantes compras cubanas (medicamentos, seringas, equipamentos médicos e condões), conforme expediente do governo de Havana à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
 
Cuba não logrou comprar três milhões de seringas descartáveis, por US$ 256 mil, para vacinação infantil, intermediada pela Aliança Mundial para Vacinas e Imunização. O Departamento do Tesouro dos EUA negou licença à organização não-governamental (ONG) norte-americana Population Services International (PSI) para colaboração com Cuba, que incluía o envio e distribuição de camisinhas a grupos vulneráveis a Aids. Até o The New York Times qualificou o bloqueio como obsoleto e contraditório em relação às supostas intenções “caridosas” da Casa Branca. Os custos do bloqueio se tornam mais lesivos em ocasiões como a do golpe dos furacões à limitada produção cubana de alimentos.

Aos obstáculos para adquirir sementes norte-americanas, ter acesso a tecnologias para a criação de galinhas e para a indústria de arroz, se agregam armadilhas às empresas estrangeiras para comercializar com Cuba: barrou a venda de embalagens de empresa mexicana à ilha, por conter alumínio dos EUA.

Outras indústrias evitam comprar níquel cubano para não ferir regras norte-americanas que limitam a importação de produtos que contenham a matéria-prima. O brutal dano de US$ 9 milhões provocado pelos furacões é uma pequena amostra, se comparada ao sangramento do bloqueio a Cuba: são mais de US$ 3 bilhões por ano em virtude dos custos ascendentes do bloqueio, desde que os EUA se propuseram a render, por fome e desespero, o povo cubano, como rezam documentos de Washington.

A única atitude correta, ética e ajustada ao direito internacional e à vontade das 185 nações integrantes da Assembléia Geral da ONU, que apóiam Cuba, seria eliminar, total e definitivamente, o cruel bloqueio econômico, comercial e financeiro aplicado durante quase meio século contra a ilha. É grande a expectativa em relação ao novo governo do país do Norte, tendo à frente Barack Obama.

Não creio que Cuba seja prioridade para a Casa Branca, nem que a emaranhada rede de leis do bloqueio seja apagada com a assinatura de um presidente. Não será imediata a oportunidade histórica para a mudança, ainda que sejam evidentes o esgotamento e as frestas da muralha levantada pelos EUA ao redor da ilha socialista. No entanto, as chaves da mudança não estão em Washington. As forças que ajudarão a pôr o fim ao bloqueio estão sendo criadas, na verdade, pela porção sul-americana das Américas.

*Ariel Terrero Escalante é jornalista da revista cubana Bohemia, em visita ao Brasil a convite do Sindicato dos Jornalistas do DF e da Fenaj.
Artigo publicado no “Estado de Minas” do dia 28/11

02/12/2008 08:00:32

Posted by Mgontijo at 22:55:27 | Permalink | No Comments »